“Pensei que saindo da magistratura e vindo assumir essa posição de ministro, esses ataques ao trabalho de juiz, enfrentado a corrupção com a aplicação imparcial da lei teriam acabado, mas pelo jeito, me enganei”,

de Sérgio Moro, durante passagem pelo Senado.




Ano XVII - 20 e 21
de junho de 2019


Ameaçados
Davi Alcolumbre, presidente do Senado, já pressentia a derrota pessoal do presidente Jair Bolsonaro quando senadores derrubaram decretos de armas do Chefe do Governo. E antes de anunciar o resultado resolveu fazer um discurso defendendo os senadores que haviam sido atacados por mensagens ameaçadoras, via meios eletrônicos. Mais da metade dos integrantes do Senado haviam sido vítimas dessas mensagens, algumas misturando até ameaças às famílias. E, ao contrário do que se poderia imaginar essas ameaças (os senadores acham que partiram de integrantes da família de Bolsonaro), resolveram derrubar os decretos do presidente. Detalhe: ameaçados ou não, os deputados seguirão o Senado.

Favorita
Pesquisa para consumo interno do DEM sobre candidaturas à prefeitura de São Paulo, no ano que vem, revela em primeiro lugar (se ela topar ser candidata) a deputada Janaina Paschoal, que levou dois milhões de votos para a Assembleia Paulista. Ela é do PSL e teria quase metade de intenções de votos. Joice Hasselmann, também do PSL, teria também metade, só que das intenções de voto de Janaina.

Elétricos e mineiros
O governador Romeu Zema tem uma missão especial para Cleodorvino Belini, presidente da Cemig: atrair montadoras para a produção de carros elétricos em Minas Gerais. Zema acha que Belini, com seus 30 anos de indústria automobilística, é o homem certo para isso. E deveria começar pela Fiat: ele comandou a empresa na América Latina por mais de dez anos.

Passivo e descoberto
A péssima situação financeira do governo federal está mais do que evidente no Relatório Contábil do Tesouro Nacional do ano passado. Em 2018, os passivos da União superaram os ativos em R$ 2,4 trilhões, número 0,4% inferior aos R$ 2,4 trilhões de 2017, mas quase superior ao R$ 1,4 trilhão de 2015. Ou seja: o resultado indica que o patrimônio líquido da União está negativo, com um enorme passivo a descoberto.

Lista de espera
Enquanto a Odebrecht entra com pedido de recuperação judicial, a maior já registrada na história brasileira, mais de 40 escritórios de advocacia estão esperando para ver se recebem pelo menos parte dos R$ 25 milhões que a empresa lhes deve. Nessa lista, acumulam-se escritórios de advocacia famosos: de Mattos Filho a Aragão, só para começo de conversa.

Ladeira abaixo
O famoso e premiado restaurante D.O.M, em São Paulo, do chef Alex Atala, acaba de cair na classificação da revista World’s 50 Best da 30ª posição para a 54ª posição (caiu 24 posições). A classificação entre a 51ª e a 100ª posições é considerada “dos piores”. A justificativa é uma só para a publicação: queda de qualidade.

É de casa!
E muito rapidamente já surgem informações de que o novo presidente do BNDES, Gustavo Montezano, homem do mercado, tem relações com a família Bolsonaro. É amigo de farras de Eduardo Bolsonaro que já presenciou Gustavo quebrar portas de um prédio onde havia uma festa e o grupo não poderia entrar. Nas redes sociais, tem fotos de Gustavo ao lado de Carlos e Eduardo Bolsonaro. O novo presidente do BNDES apagou seu perfil no Instagram.

Também o dono
Ex-diretores da Odebrecht também estão na fila para receber o que a empresa lhes deve. No meio deles, uma surpresa: o próprio Emilio Odebrecht, filho do fundador Norberto, que tocou a companhia durante décadas, tem de receber mais de R$ 80 milhões e o filho Marcelo, outros R$ 16 milhões.

Almanaque
Para quem nem desconfia: já houve dias em que Jair Bolsonaro foi à Câmara para proclamar que havia votado em Lula. E ele lembrava: “Chamava-o de companheiro e o aconselhava a só escolher ministros depois de consultar quadros do PT, do PCdoB e outros partidos”. Em dezembro de 2002, discursou para Lula: “Não quero ser oposição. Não serei situação pela situação”. No Planalto há mais de cinco meses, Bolsonaro jamais tocou nessa época de sua vida parlamentar.

Antes e depois
Gustavo Montezano, novo presidente do BNDES, é filho de Roberto Montezano que, há anos, já trabalhou com Paulo Guedes no Ibmec. Antes de assumir cargo na Secretaria de Desestatização, de Salim Mattar, havia sido indicado por Guedes para uma diretoria do mesmo BNDES. Na época, Joaquim Levy não aceitou.

Quem manda
A longa entrevista dada pelo ministro Sérgio Moro ao apresentador Ratinho, esta semana, teve momentos descontraídos. Num deles, confessou que “quem manda lá em casa” é mesmo sua mulher Rosângela. Em outro, recusou confessar para qual time de futebol torce e Ratinho e seus telespectadores ficaram sem resposta. Moro, aliás, é torcedor do Atlético Paranaense.

“De bicicleta”
Na cerimônia de assinatura de MP para venda de bens confiscados de traficantes (proposta de Sérgio Moro), Jair Bolsonaro cumprimentou a mulher do ministro da Justiça, Rosângela, que estava sentada junto a Raquel Dodge, Joice Hasselmann, Vitor Hugo e Osmar Terra e elogiou o ministro: “Sérgio Moro joga futebol? Não? Mas está fazendo mais um gol de bicicleta do meio do campo”.

Sangria
Nesses dias, Rodrigo Maia, presidente da Câmara, em evento em São Paulo, criticou gastos absurdos da Casa que ele preside. Só deixou de lado a sangria de R$ 200 milhões na manutenção da TV Câmara, que tem 38 servidores concursados e outros 227 terceirizados (não fariam falta se fossem dispensados). E falou que a média salarial lá é de R$ 30 mil mensais. Também na média, motoristas ganham em torno de R$ 12 mil.

Sucessora
Na cerimônia de assinatura de MP para facilitar bens confiscados por traficantes, projetos do Ministério da Justiça, Bolsonaro chamou Rosângela Moro para sentar na mesa principal ao lado de autoridades. O ex-juiz estava falando e não resistiu: “O presidente já está escolhendo quem vai me substituir”.

Olho no jogo
O ministro Paulo Guedes recebeu a pesquisa do Instituto Jogo Legal sobre a legalização dos jogos de azar. O governo poderia arrecadar R$ 20 bilhões por ano com abertura dos cassinos e bingos. Guedes acha que a volta do jogo poderia acontecer em áreas de turismo espalhadas pelo país, nada em grandes cidades.

Ainda Armas
Dias Toffoli marcou para o próximo dia 26 o julgamento de cinco ações que questionavam o decreto de Bolsonaro que ampliou o porte de armas e que já caiu no Senado. As ações são do PSOL, PSB e Rede e os relatores são Rosa Weber e Edson Fachin. A estimativa é que o Supremo tenha comportamento semelhante ao do Senado.

Bicha travada
O ex-deputado Jean Wyllys, mesmo distante acompanha tudo o que acontece no Brasil. Correm boatos de sua venda de mandato e outro, que ele saiu do país porque teria apostado que, se Jair Bolsonaro ganhasse não ficaria mais por aqui. Até pensou em ficar, mas foi cobrado pelos “amigos” o pagamento da aposta. Agora o ex-BBB resolveu atacar um dos filhos de Bolsonaro, Carlos. Em seu twitter escreveu “Bicha travada que optou por ser essa vergonhosa fábrica de fake news homofóbicas”.

Soltando a franga
Ainda sobre Jean Wyllys: Eduardo Bolsonaro resolveu sair na defesa do irmão Carlos, que foi chamado de “bicha travada”. “Acho que alguém aí quer chamar mais atenção do que o pavão e está soltando a franga hoje!”.

Outro
Nas redes sociais rolam denúncias das ligações supostamente espúrias entre Glenn Greenwald, seu marido (ou ao contrário) David Miranda (era suplente e assumiu o lugar de Jean Wyllys na Câmara) e o próprio ex-parlamentar Jean Wyllys, que continua em dolce far niente na Europa. Agora, sentindo-se ameaçado, também David Miranda quer viajar.

Sem conluio
A senadores, o ministro Sérgio Moro disse que, das 45 sentenças que proferiu, o Ministério Público Federal recorreu em 44 delas. E lembrou que, das condenações pedidas pela força-tarefa quando estava na 13ª Vara Federal, absolveu 63 acusados, ou seja, 21% do total. E dos 298 pedidos de prisão preventivas e temporárias feitos pela força-tarefa, 91 foram negados.

Ele se ofereceu
O senador Humberto Costa (PT-PE) tentou criar constrangimento propondo questão de ordem para que Simone Tebet definisse o status de Sérgio Moro lá, se “testemunha ou depoente”. A presidente da CCJ rebateu, afirmando que Moro se ofereceu espontaneamente para ir ao Senado.

Aparelho novo
O procurador Deltan Dallagnol está com novo número de celular. Trocou de aparelho, em maio, antes das mensagens entre ele e Sérgio Moro fossem divulgadas. Ele deve ter pressentido que seu aparelho estava sendo hackeado. Poucas pessoas tem seu número novo.

Mãos leves
Quem não gosta de Joaquim Levy, ex-presidente do BNDES, está lembrando que ele não se mexeu quando petistas do banco recusaram acesso ao Ministério do Meio Ambiente a contratos com ONGs ambientalistas. Dos R$ 25 milhões recebidos para projetos ambientais, ONGs sobe suspeita gastaram R$ 14 milhões em “consultoria” e salários para eles próprios. E mais de R$ 800 milhões de um total de R$ 1,5 bilhão doados ao Brasil por meio do Fundo Amazônia, acabaram nos bolsos dos ongueiros.

É o Brasil!
Na semana passada, a Justiça Federal do DF autorizou que a funcionária pública Fabiola Inês Guedes de Castro Saldanha exerça suas funções em Paris, para onde se mudou há dois anos em razão da transferência do marido diplomata para lá. Fabiola é procurador da Fazenda Nacional, representa do Estado em processos de natureza fiscal. De acordo com decisão da justiça, Fabiola vai exercer essas funções “através do regime de teletrabalho no exterior”. Chose de loque!

Aqui, não!
Vira e mexe, o governador João Doria faz questão de dizer que não há lugar no PSDB para Luciano Huck disputar a Presidência da República. Ou seja: é ele mesmo. Mais: ninguém até agora havia falado que o apresentador de TV quer disputar o Planalto pelos tucanos. Os mais chegados dizem que Doria “vê perigo até na própria sombra”.

Essa ele não sabia
No Senado, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro elogiou a senadora Selma Arruda (PSL-MT) dizendo que exercia muito bem suas funções quando era juíza e que ela sabia muito bem que o tipo de conversa feita com Deltan Dallagnol era normal. Selma, quando atuava Tribunal de Justiça, mandou prender o ex-governador Silval Barbosa, do MDB, e o ex-presidente da Assembleia estadual, José Riva (PSD). Só tem um problema: Selma em dia 10 de abril deste ano teve seu mandato cassado por unanimidade pelo Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso por suspeita de caixa dois e abuso de poder econômico. Ela está recorrendo e por enquanto, não deixará o mandato.

Candidatos
Fernando Haddad e Guilherme Boulos formaram grupo para pedir o afastamento de Sérgio Moro. Nas redes sociais que defendem o ministro da Justiça arrumaram apelido para Boulos com a ligação a Haddad. O ex-prefeito de São Paulo é “poste”, o outro é “subposte”. E os dois pretendem se candidatar, de novo, ao Planalto em 2022.

Faltam cabeças
O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, ainda não conseguiu montar todo seu secretariado e está tentando laçar alguns nomes em Brasília. Goiás atravessa grave situação financeira, os salários são muito baixos, não dá para oferecer auxílio-moradia para quem é de fora e por aí vai. A sede do governo até cortou o cafezinho.

Novo emprego
Thomas Traumann, que foi ministro de Dilma Rousseff na área de comunicação, quando defendia o patrocínio de diversos blogs que endeusavam o governo com dinheiro público, achou novo emprego. Foi contratado por Veja para fazer podcasts.

OLHO MÁGICO

fotos: Binho Dutra // Divulgação

Lembrando Cacilda
A atriz Leona Cavalli, 49 anos, a Teresa de Órfãos da terra fez um ensaio em homenagem Cacilda Becker. A morte de Cacilda completou 50 anos na semana passada e Leona, que já interpretou a atriz no teatro, também está preparando também um documentário sobre ela. “Cacilda Becker foi uma das atrizes mais importantes do teatro brasileiro. Foi a primeira mulher a ser registrada como atriz no país. Ela trouxe uma consciência para a classe artística muito importante”. Leona confessou que adora atuar, mas gosta mais do teatro. “Teatro é uma grande paixão. Comecei no teatro e vou estar sempre nos palcos, por amor e necessidade. Também amo TV e cinema, mas todas essas artes nasceram do teatro”. A atriz também acaba de lançar seu primeiro livro infantil pela editora Quase oito, Belabelinha.

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