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“O presidencialismo é o anjo exterminador dos partidos”

José Serra (PSDB-SP), senador eleito, atacando o presidencialismo em debate sobre a reforma política.




Ano XI - 29/11 à 1º de Dezembro de 2014

 

Outra Carta
Para muitos poderosos do mercado, quem melhor resumiu a opera da entrada de Joaquim Levy e Nelson Barbosa e a manutenção de Alexandre Tombini na equipe que comandará a economia do segundo governo de Dilma, foi o ex-presidente do Banco Central, Gustavo Franco. Para ele, a entrevista coletiva dos três pode ser comparada ao lançamento da Carta aos Brasileiros, em 2002, feito pelo presidente recém-eleito Lula, num gesto de abandono das agendas revolucionárias e de “aburguesamento do Partido dos Trabalhadores”. Detalhe: quem criou essa espécie de estratégia foi Lula, em reunião com Dilma, mais o ministro Aloizio Mercadante e Rui Falcão, presidente do PT. Como a presidente reeleita se recusava a fazer um outro documento, o ex-presidente cravou: “Eles se apresentam juntos, falam juntos e vira tudo uma nova Carta”.

Colaborador
Há quem garanta que, soprando no ouvido de Lula, desde o aval dado a Joaquim Levy (e ele conversou com a própria Dilma nesse sentido), na estratégia da entrevista coletiva, “o que seria uma grande garantia ao mercado”, sempre esteve o ex-ministro Antonio Palocci que, em 2002, atuou na elaboração da Carta aos Brasileiros. Na época, ele era o responsável pela transição do governo. Palocci também antecipava que a jogada evitaria o rebaixamento no grau de investimento no país.

Armando o bloco
O governador Geraldo Alckmin, do alto de sua reeleição no primeiro turno, vai armando seu bloco – e de olho em 2018. Saulo de Castro, fiel escudeiro, deverá ser um supersecretário que cuidará dos investimentos do Estado, no ano que vem, de cerca de R$ 20 bilhões. Seu posto ainda será definido. Saulo deverá cobrar e acompanhar obras de lupa, acelerando um portfólio de realizações de Alckmin que, mesmo não comentando, é mais do que candidato à Presidência. Edson Aparecido voltará: cuidará das relações institucionais, ou seja, da ligação entre o Palácio dos Bandeirantes e a Assembléia Legislativa.

Reclamação
Ex-candidato à Presidência na chapa de Marina Silva, o socialista Beto Albuquerque resolveu reclamar: “Eles criticaram tanto a gente por ter Neca Setubal na nossa campanha e agora colocam outro banco para comandar: a economia”. Detalhe: Beto tem consciência de que uma coisa não tem nada a ver com a outra, em se tratando especificamente das figuras envolvidas, mas acha que “um pouco de marola não faz mal a ninguém”.

Projeto Down

Adivinhação
Nos blogs de humor, circula uma espécie de adivinhação: “Quem pensa como Arminio Fraga, fala como Arminio Fraga e não é Arminio Fraga?” Quem coloca “x” no nome de Joaquim Levy “ganha um passeio de pedalinho na Ilha de Paquetá”.

Poder ficar
Joaquim Levy no Ministério da Fazenda pode significar a manutenção de Helena Mulin como diretora de Fiscalização da Superintendência de Seguros Privados (Susep). No passado, trabalharam harmonicamente no Tesouro Nacional.

Esperando o pior
Gavetas limpas e demais medidas preventivas do gênero já adotadas, além de um verdadeiro esquadrão de advogados em estado de alerta, a cúpula da Odebrecht, que supostamente seria a empreiteira mais beneficiada (ou mais envolvida) no esquema da Petrobras, acha que a decretação de prisão de alguns de seus diretores será questão de dias. A construtora aparece como grande favorita dos governos Lula e Dilma, incluindo a estatal do petróleo, concentrando mais de 50% de todos os contratos.

Daniel, de novo
Há semanas, numa entrevista, o cantor Daniel contou que havia tido uma grande romance com Suzana Alves, a Tiazinha, o que provocou desmentidos da moça, hoje casada. Agora, na revista Sexy, ele confirma o grande romance com ela e até diz que “Suzana poderia ter sido minha esposa”. De quebra, lembra um beijo que deu em Xuxa Meneghel num filme e “ela deu uma retribuidinha”.

Sem-cadeira
O Brasil tem sem-teto, sem-terra e também sem-cadeira: é como o governador da Bahia e figura mais do que próxima de Dilma Rousseff, Jaques Wagner, vem se sentindo. Cotado para ocupar posto próximo de Chefe do Governo e participar do núcleo decisório, ele tem visto todos os ministérios e secretarias para os quais era nome quase certo, serem preenchidos. Agora, dá adeus a Relações Institucionais e Petrobras: Dilma avisou que manterá Ricardo Berzoini e Graça Foster. Sobrou Comunicações.

Mais que Messi
Com a entrega da prestação de contas da campanha de Dilma, veio à tona o valor total pago pelo PT ao marqueteiro João Santana. O ex-deputado Roberto Jefferson postou no seu blog que a empresa de Santana recebeu R$ 70 milhões, incluídos os honorários do baiano, “por serviços prestados na campanha”. Para o delator do mensalão, por três meses de trabalho, Santana ganhou mais do que Messi, do Barcelona, o craque mais bem pago do mundo, que recebe R$ 60,5 milhões por ano. Admirador do marqueteiro, Jefferson, desta vez, não gostou da atuação dele: “Foi muito bem pago pelas baixarias que criou”.

Mulheres de Dilma
Eleonora Menucucci, companheira de Dilma nos tempos revolucionários, deverá permanecer na Secretaria de Políticas para Mulheres. Já Ideli Salvatti, titular de Direitos Humanos, que não irá para o TCU, não sabe se permanecerá no cargo. Sabe, contudo, que a ex-secretária Maria do Rosário vem se mexendo para voltar a seu antigo posto. Gleisi Hoffmann, a loura predileta em outros tempos, permanece mesmo no Senado, devido às ligações entre André Vargas e o doleiro Alberto Youssef.

Levyana
A comentarista política Denise Rothenburg escreveu que “vem aí a política econômica Levyana e não leviana” e a comparação quase virou uma corrente na internet, com direito a mais variantes de humor. O próprio Joaquim Levy leu e achou engraçado.

Olho nas gavetas
Na apresentação dos homens da equipe econômica, Nelson Barbosa usou uma gravata vermelha de propósito: sabia que ganharia comentários. Joaquim Levy usava uma azul, meio estampada, não porque fosse “um tucano infiltrado”: é sua cor favorita. E Alexandre Tombini estava de gravata cinza, “como a economia nacional”, segundo muitos. Mais: alguém chamou Tombini de baixinho depois da coletiva e ele morreu de rir. Com 1,80m de altura, é mais baixo que Barbosa e Levy.

Queda de braço
Os observadores mais mordazes, depois da apresentação dos homens da economia, na semana passada, detectaram o primeiro sinal do que já seria indicio de uma queda de braço entre Joaquim Levy e Dilma. Ele usou, ao se referir a Chefe do Governo, o tratamento “presidente” e não “presidenta”. Ela não teria reclamado – por enquanto, claro.

Neymar, poderoso
O jogador Neymar, 22 anos, um dos mais bem pagos do mundo (mais de R$ 27 milhões anuais) é capa da nova edição da Forbes Brasil, que seguindo a original americana, elege os 100 brasileiros mais poderosos e ele está no topo do ranking, à frente de David Luiz (segundo) e Paulo Coelho (terceiro). A publicação registra que ele foi a celebridade mais citada na mídia brasileira no ano, com quase 120 milhões de menções, além dos números de fãs nas redes sociais: 48,5 milhões no Facebook, 15 milhões no Twitter e 12 milhões de seguidores no Instagram.

Contra JBS
Nesses dias em que a campanha da Friboi é acusada de “propaganda enganosa” pela futura ministra da Agricultura, Kátia Abreu, o ministro Dias Toffoli, presidente do TSE, investe contra a JBS em debate sobre reforma eleitoral, em Brasília. Toffoli lembra que a JBS doou R$ 353 milhões às campanhas, “dentro do limite legal de 2% de seu faturamento e o que se pode fazer?”. O ministro acha que “essa empresa tem financiamentos de bancos oficiais e pega esse dinheiro (o BNDES é sócio da companhia com 30,4%) para fazer investimento e não para ajudar candidaturas”.

Provocação
Joaquim Levy achou até graça, Dilma Rousseff ficou irritada e Lula, desta vez, é capaz de jurar que não teve nada a ver com a declaração de Gilberto Carvalho, que já tem substituto designado para a sua cadeira, Miguel Rossetto, sobre os novos homens da equipe econômica do governo: “Ao contrário do que parece, é Joaquim Levy que está aderindo ao projeto petista”.

Guloso
O PMDB é o partido mais guloso da Republica: agora, o bloco do Senado defende a nomeação de Eduardo Braga, líder do governo na Casa, para o Ministério de Minas e Energia, que Dilma reservara a Miriam Belchior. Agora, Michel Temer faz força pela ida de Eliseu Padilha para o Turismo.

Nova compositora
Quem diria: Thalita Rebouças, que já vendeu mais de um milhão e meio de livros no Brasil, virou compositora. “Eu sou assim. Daqui a pouco serei modelo, atriz, mulher fruta”. Fenômeno entre adolescentes, Thalita compôs Amor na Hora Certa, para seu novo livro 360 Dias de Sucesso. Agora, vai compor outra para Leo Jaime, amigo e autor da orelha do livro. Dos microfones, contudo, quer distancia: “Canto muito bem, só que apenas no chuveiro”.

Amigo de Collor
Há quem aposte que, Pedro Paulo Leoni Ramos, apontado na Lava Jato como operador dos fundos de investimento, poderá merecer do juiz Sérgio Moro um capítulo à parte e, provavelmente, no começo do ano que vem. O pessoal do mercado sabe que os bilhões reservados nos fundos são controlados politicamente e o que poderia vir à tona teria efeitos devastadores. Pedro Paulo participou do governo de Fernando Collor e até hoje são muito amigos.

Vou de taxi
Há quem jure ter visto, nesses dias, José Dirceu circulando por Brasília a bordo de um taxi. Quando saiu da Papuda, tinha carro com motorista à sua espera. Para quem estranhou, Dirceu tem mesmo preferido andar de táxi: não chama atenção e pode ir a qualquer lugar da cidade sem que seu paradeiro seja identificado com facilidade.


Olho MagicoMagical Holiday
Lady Gaga e o veterano Tony Bennet, que gravaram juntos o álbum Cheek to Cheek, com clássicos do jazz, protagonizam a campanha de Natal da super-rede H&M, presente em 41 países e com 3.000 lojas. E cantam It Don’t Mean a Thing, de Duke Ellington. A campanha ganhou o título de Magical Holidays. A H&M, por sinal, ia chegar ao Brasil no ano que vem: desistiu por falta de confiança no país. Por outro lado, Lady Gaga agora se diverte, semanalmente, circulando na noite de Londres com modelos enlouquecidos.

Edições Anteriores:  

  ;-) Champanhe rosé.

:-( Champanhe demi-sec.



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Ruy Altenfelder Silva entrevista no programa Dialogo Nacional o colunista Giba Um.


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