Ano XXII - 6 de outubro de 2026
Reforma: Daniella é a única certeza
Daniella Marques é a única certeza em um governo de Flávio Bolsonaro. Falta apenas definir que cadeira ela ocupará. A amplitude das competências da economia a transforma em uma carta-trunfo, que pode ser jogada em variadas mesas. A ex-assessora de Paulo Guedes cava seu nome à enxada. Se alguém pensou que o Ministério da Fazenda é o topo da governança, errou. Daniella aprendeu com o antigo chefe a ostentar um colar de pastas, como forma possível de domar o governo. Nas últimas semanas, seu nome já foi cotado para a Casa Civil e para um novo ministério, que reuniria Desenvolvimento Social e Mulheres. Devido à sua desenvoltura e ao acesso ao clã Bolsonaro, talvez não seja nenhuma dessas hipóteses — até porque a área social, não obstante a presidência da Caixa Econômica no mandato de Jair Bolsonaro, nunca foi seu habitat natural. Daniella quer uma cadeira bem diferente. Seu lobby também é forte junto ao senador Rogério Marinho. Ele pensa em alguém, tarefeiro, que o deixasse livre para fazer política e assumir ele próprio a Casa Civil, o que reforçaria seu papel de General Golbery de Flávio. A combinação que satisfaria a ambos seria a criação de um ministério plenipotenciário que englobaria Planejamento, Previdência, Gestão e Inovação. É uma função estratégica: remodelar o Estado brasileiro.
Grande vencedor
Lula prestigiou a soberba falando de soberania e terras raras e esqueceu de dívidas no banco e preços do supermercado. Agora, PL mudou de lado e se apressou em decretar "o fim do PT". O PL de Valdemar Costa Neto, que vem se mantendo em silêncio, foi o grande vencedor de domingo. Emplacou a maior bancada na Câmara em quatro décadas, quase dobrou o número de senadores e elegeu cinco governadores no primeiro turno. Fenômenos: Nikolas Ferreira, 30 anos, e Lucas Favanato, 28 anos, foram os mais votados da História; ambos ultrapassaram os 3 milhões de votos. Serão estrelas de um Congresso que insiste em piorar, como dizia Ulysses Guimarães.

Milei, guloso 1
Javier Milei, presidente da Argentina, sabe que poderá não ser reeleito: conseguiu arrumar as finanças de seu país e deixou a maioria de seus conterrâneos em miséria plena. Agora, lança um inédito programa, movido a muito dinheiro, para quem quer virar cidadão argentino. Ele acha que conseguirá atrair investidores (!). O solicitante poderá fazer um pagamento não reembolsável de US$ 350 mil (cerca de R$ 1,9 milhão) ao Tesouro Nacional.
Milei, guloso 2
Para o cônjuge, será necessário um aporte adicional de US$ 100 mil (cerca de R$ 519 mil), enquanto filhos menores de 19 anos exigirão US$ 25 mil (cerca de R$ 130 mil) por cada criança. No total, uma família de quatro pessoas pagará US$ 500 mil (cerca de R$ 2,6 milhões). Outra alternativa permite que os solicitantes comprem um título do governo no valor de US$ 800 mil (cerca de R$ 4,1 milhões), que será criado especificamente para o programa de cidadania. Quem se habilita?
STF dominado
Em sua alegria, a ser novamente testada no dia 25 próximo, Flávio Bolsonaro, no primeiro discurso do domingo, não esqueceu de lembrar a seus rivais e inimigos que, saindo vencedor ainda este mês, já começa a nova formação do Supremo Tribunal Federal. "Teremos mais quatro magistrados no Supremo nomeados pelo futuro governo". Seriam os ministros que deixariam o STF por alcançarem 75 anos de idade: Edson Fachin, Cármen Lúcia, Luiz Fux e Gilmar Mendes. Os novos futuros integrantes terão como colegas Cristiano Zanin, Flávio Dino, Alexandre de Moraes, Dias Toffoli, André Mendonça e Kassio Nunes Marques. Há uma remota chance de que, mesmo derrotado no segundo turno e com apoio de Davi Alcolumbre, Jorge Messias ainda chegue ao Supremo neste governo.
Fora do campo
Entre algumas surpresas, outras nem tanto, ficaram fora de campo figuras conhecidas: Gleisi Hoffmann não conseguiu o Senado (ficou em quarto, com 13,3% dos votos); Aécio Neves ficou em sétimo em Minas Gerais na corrida ao Senado; Randolfe Rodrigues, líder do governo Lula no Congresso, perdeu a cadeira e ficou em terceiro no Amapá; e Ciro Nogueira não conseguiu se reeleger para o Senado no Piauí, ficou em terceiro, por conta dos R$ 500 mil mensais, brinde do amigo Daniel Vorcaro, nos tempos do Banco Master.

Bahia petista
Os resultados da Bahia também surpreenderam: para governador, malgrado ACM Neto (União Brasil) figurasse, no início da campanha, como favorito, um grande esforço do PT conseguiu reeleger Jerônimo Rodrigues. Entre os senadores (duas vagas), os dois primeiros colocados, igualmente do PT, foram Rui Costa, ex-chefe da Casa Civil de Lula, e Jaques Wagner, ex-líder do governo no Senado e político protagonista de um dos muitos casos envolvendo Daniel Vorcaro, do Banco Master. A Bahia, para quem tem memória curta, é campeã nacional de violência e tem um grande bloco de petistas.
Maior resultado
Proporcionalmente, Tarcísio de Freitas teve o maior resultado proporcional de um candidato a governador da redemocratização em um primeiro turno. Desde 1983, três eleições terminaram sem necessidade de segundo turno com José Serra e Geraldo Alckmin. Em 2006, Serra alcançou 57,93% dos votos e Alckmin, 57,31%. O Datafolha estima o governador com 56% dos votos válidos. Depois de levar uma eleição para o segundo turno contra Tarcísio em 2002 e alcançar 44,70% dos votos, Haddad agora marca 37% de intenção de votos. É um patamar parecido com a derrota de Aloizio Mercadante para Alckmin, em 2010 (35,23%). A nova derrota de Haddad será a quarta: Prefeitura de São Paulo em 2016, Presidência em 2018 e Governo de São Paulo em 2022.
Futuros rivais
Analistas de plantão começam a fazer estimativas para o futuro: Tarcísio de Freitas se reelege governador de São Paulo no primeiro turno, é o eleitor de Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL), deixando de fora Simone Tebet e Marina Silva. Deverá fazer supergoverno, já de olho em 2030 para disputar o Planalto. Por outro lado, caso Flávio vença o segundo turno, deverá também se dedicar muito ao sucesso de seu governo, pensando na reeleição de 2030. Ou seja: Tarcísio e Flávio serão rivais lá na frente. No passado, Jair Bolsonaro elegeu Tarcísio (carioca) em São Paulo; agora, elegeu Flávio (outro carioca), supostamente para o país.
Depende do TSE
O bolsonarismo emplaca nova virada na corrida ao governo do Rio, com Douglas Ruas (PL, mais um) contrariando todas as pesquisas e alcançando 49,2% dos votos, à frente do então favorito Eduardo Paes (PSD), que teve 42,7%. A realização do segundo turno depende do desfecho da situação de Anthony Garotinho. Seus votos estão sub judice e deverão ser anulados caso o TSE confirme a decisão do TRE-RJ que indeferiu a candidatura do ex-governador. Nesse caso, Ruas será eleito em primeiro turno e impondo a Paes sua terceira derrota.
"Tudo é perigoso"
Nos tempos em que tentava viabilizar as fraudes do Banco Master, Daniel Vorcaro se dizia "armado para a guerra" e "blindado" por seus amigos no Congresso, no Governo Lula e no STF. Numa conversa, um amigo alertou: "Poder político é perigoso". E Daniel: "Tudo é perigoso". Daniel também queria "fazer um estrago" no mercado das apostas. Aos amigos, dizia que estava construindo "a maior de todas" as bets do país. E até listou parceiros já fechados: "Anitta, Gustavo Lima, Luciano Huck e Globo".
Ultrarrápido
Desde que os carros elétricos começaram a aumentar no Brasil, uma das discussões era - e ainda é - o tempo de recarga, sem falar em autonomia. Era impossível em menos de sete horas. Hoje, já é possível em cerca de 50 minutos. Agora, a BYD inaugurou o primeiro Flash Charging de toda a América, na loja da marca de luxo chinesa, a Denza. Tem uma potência de 1.500 kW, e, com ele, será possível, em poucos minutos, uma bateria de 10% a 95% em nove minutos. Ou cinco, ganhar mais de 400 km de autonomia. Detalhe: no Brasil, só tem um modelo capaz de receber tanta carga de uma só vez.
Investigando todos
O presidente do STF, Edson Fachin, cobrou da Polícia Federal apuração rigorosa e sem exceção sobre o envolvimento de ministros da Corte no caso do Banco Master. Em ofício ao diretor-geral da PF, o magistrado destacou a importância da independência das instituições e avisou que só tomará providências quando receber relatos completos dos fatos. O pedido ocorre após o vazamento de mensagens do ex-banqueiro Daniel Vorcaro enviadas ao ministro Alexandre de Moraes. Para tratar do tema, Fachin antecipou uma reunião com a PF. O ministro reforçou que a cooperação entre Justiça, Ministério Público e polícia é fundamental para esclarecer o caso com transparência.
Desrespeito à bandeira
O presidente Lula votou neste domingo em São Bernardo do Campo acompanhado de aliados, como Geraldo Alckmin e Fernando Haddad. Clima descontraído à parte, a postura do candidato à reeleição deu o que falar: ele fez abordagens diretas a jornalistas pedindo apoio — atitude vetada pela legislação eleitoral —, além de ser gravado amassando a bandeira do Brasil e depois jogando-a no chão, como se fosse um papel. Ao sair da urna, Lula destacou que a população precisa votar visando ao futuro do país e das próximas gerações.
Parece, mas não é
O ministro Gilmar Mendes chamou atenção ao consultar papéis colados a um objeto similar a um celular na cabine de votação, em Diamantino (MT). Apesar da restrição do TSE a eletrônicos perto da urna, o item usado pelo magistrado não era um aparelho proibido, segundo fontes.
Tentativa frustrada
Depois de mais de três décadas, Ciro Gomes (PSDB) tentou reconquistar o governo do Ceará, mas acabou derrotado. O governador Elmano de Freitas (PT) venceu a disputa acirrada no primeiro turno e garantiu a reeleição com a maioria dos votos válidos. Com o resultado, o PT assegura mais quatro anos no poder estadual, frustrando os planos de retorno do tucano ao Palácio da Abolição. Vale lembrar que as pesquisas mostravam que a intenção de votos a favor de Ciro era minimamente maior.
“Piá errado”
A mãe do deputado Nikolas Ferreira reagiu às ofensas da primeira-dama Janja, que havia chamado o parlamentar de "piá de bosta" na reta final da campanha. No comitê em Belo Horizonte, ao lado de apoiadores, Maria Ruth ironizou o ataque durante a apuração: "mexeu com o piá errado". A troca de farpas expôs a forte tensão política entre os dois lados. A resposta veio nas urnas. O embate pessoal acabou refletido no resultado eleitoral. Nikolas Ferreira obteve a maior votação para deputado federal na história do país, ultrapassando a marca de 3,1 milhões de votos. O feito superou o recorde anterior e consolidou o peso da mobilização de seus eleitores diante dos ataques sofridos durante a corrida eleitoral.
O que diz a história
Na história das eleições brasileiras, quem lidera o primeiro turno sempre leva a Presidência. O padrão se repete desde a primeira eleição direta, em 1989: de Collor a Lula, passando por FHC e Dilma, a virada no segundo turno nunca aconteceu na história recente do país. O eleitor brasileiro cultiva uma escrita clara nas urnas: o líder da primeira etapa termina eleito presidente.
Seguindo em frente
A estreia de Ella Bleu Travolta nas passarelas veio acompanhada de uma história que vai muito além da moda. Aos 26 anos, a filha de John Travolta e Kelly Preston desfilou para a Miu Miu, na Paris Fashion Week, e rapidamente chamou atenção pela semelhança com os pais. No desfile, Ella apareceu elegante, de blazer verde-musgo, blusa estampada e calça escura. Mas a carreira da atriz também ganha novos capítulos. Ela estrelou Propeller: One-Way Night Coach, primeiro longa dirigido pelo pai, interpretando uma comissária de bordo. “Foi tão inspirador e incrível porque ele já tinha o filme inteiro — toda a música, todas as cenas — tudo na cabeça”, contou. Enquanto constrói seu próprio caminho, Ella também carrega uma história familiar marcada pelo luto, após perder o irmão Jett e a mãe. Ella resume sua força: “A vida certamente me testou, mas minha natureza é buscar o lado positivo, mesmo diante do pior. Não fui feita para permanecer na escuridão. Posso olhar para a escuridão, mas não escolho morrer nessa escuridão”.

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