“Se Dilma pedir para as pessoas irem às ruas de branco e dourado no dia 15, vai todo mundo sair de preto e azul.”

José Serra, senador (PSDB-SP), aproveitando a onda do vestido na Internet.

 



Ano XI - 3 de março de 2015

 

Os idos de março
O dia 15 de março, data marcada de grande passeata de protesto, tem uma história que até anda sendo lembrada por muita gente no Planalto. Em 15 de março, há 2.058 anos (44 a.C.), em Roma, Julio Cesar foi assassinado com 23 facadas desfechadas por alguns dos 60 conspiradores que desejavam se livrar dele. A caminho do Senado, um adivinho advertiu Cesar: “Cuidado com os idos de março”. E não recebeu atenção. No calendário romano da época, os idos eram os dias 15 de março, maio, junho e outubro (nos outros meses, caia no dia 13). Eram dias fatídicos abominados por bruxas e videntes.

Vai mudar
Nas reuniões com as bancadas do Senado do PT, PMDB e líderes de outros partidos, na semana passada, Lula garantiu que Dilma vai se esforçar para melhorar e que a atual coordenação política do governo muda antes do final do ano. Não é que tenha alterado alguma coisa, mas o ex-presidente fez mais do que a presidente em dois meses. Horas depois, a MP das Desoneração acabou com os ânimos gerais, mais ainda dos petistas que, sem muito para onde ir, começam a pedir a cabeça do ministro Pepe Vargas. Enquanto isso, entidades sociais e sindicais ligadas ao governo jogam dos dois lados.

Descontrole
Petistas, base aliada e oposição têm um veredito antecipado, gostando ou não das medidas do Planalto: se o governo não consegue aprovar as duas MPs no Congresso estará instalado um descontrole e dada uma demonstração do total fragilidade – e mesmo incompetência – política.

Não era lá
A manifestação de algumas pessoas contra a presença do ex-ministro Guido Mantega, nesses dias, que levara sua mulher Eliane Berger ao hospital, aconteceu na lanchonete do Einstein, em São Paulo e não nas dependências do Sírio-Libanês.

Sempre tem mais
O escândalo na Petrobras ganha um capítulo novo a cada dia. Agora, sabe-se que por influencia das empreiteiras, a estatal fez 157 revisões em casos de chuva, causando prejuízos milionários. No Comperj, onde o consórcio é formado pela Andrade Gutierrez, Odebrecht e Queiróz Galvão, investigadas na Lava Jato, as construtoras receberam R$ 404 milhões a mais. A mesma clausula foi usada na Refinaria Abreu e Lima.

De novo
A investida de Dilma Rousseff sobre as declarações de Joaquim Levy, da Fazenda, sobre a desoneração das empresas, usando expressões como “grosseiro” e “brincadeira”, não caracteriza a primeira chamada de atenção sobre seu ministro. Só que, desta vez, foi publica. Há semanas, por conta de declarações em Davos, Levy também levou um pito da presidente, só que em circuito interno – e, na época, tratou de desdizer o que dissera.

Outro exército
O ministro Jaques Wagner, da Defesa, conversou com os chefes das Três Armas sobre “o exército de Stédile” anunciado por Lula, enquanto veteranos militares inundavam a internet com posicionamentos contra o ex-presidente, acusando-o até mesmo de “ameaçar a democracia”. Lula permaneceu na dele: se fosse necessário, “falaria tudo de novo”.

Olho na proteção
O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, depois de relatar que sua casa foi invadida, há um mês, conta com proteção especial. Como em qualquer caso de segurança de autoridade, os efetivos empregados são mantidos em sigilo. Pode ter escolta da Polícia Federal, podendo também participar agentes da Abin e homens das Forças Armadas: esse seria o procedimento normal. Segurança de presidente e vice é feita por Forças Armadas e oficiais da Abin; ministro da Justiça conta com proteção da PF e da Defesa, por militares. No STF, os ministros têm efetivo próprio (até em suas residências); e Câmara e Senado têm sua própria segurança de Polícia Legislativa.

Projeto Down

Frase famosa
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso está entusiasmando a participação de tucanos na manifestação de 15 de março, ressaltando, com energia, que nenhum passo deve ser dado na área de impeachment. E tem repetido sua frase que já é se tornou famosa: “O impeachment é como a bomba atômica: existe para não ser usado”.

Conta milionária
A crise do abastecimento de água atingiu São Paulo, Minas Gerais, Rio e passou a ser assunto nacional. E a conta do consumo de água da União (Executivo, Legislativo e Judiciário) também foi empurrada nas costas da população. No ano passado, para se ter melhor idéia, o governo federal pagou uma conta de R$ 450,4 milhões em serviços de água e esgoto. Nas unidades federativas, neste inicio de ano, ninguém fala em economizar água. No Rio, que tem o maior número de funcionários públicos da União (101,8 mil servidores) gastou-se, no ano passado, R$ 142,8 milhões com água e tratamento de esgoto.

Até Dilma
Não foram apenas os militares que não gostaram da declaração de Lula sobre a convocação do “exército de Stédile” em resposta a um hipotético processo de impeachment: a própria presidente Dilma Rousseff comentou com os ministros do núcleo político que ninguém pode aplaudir e apoiar, democraticamente, um ex-presidente que assume uma posição de “atiçador de fogo”. Além de tudo, as relações entre Dilma Rousseff, em seu primeiro governo e José Pedro Stédile, líder do MST, nunca foram de copa e cozinha.

Virou gozação
Depois das declarações de Lula convocando o “exército de Stédile”, o próprio José Pedro Stédile virou alvo de gozações por parte de seus comandados. Alguns, começaram a chamá-lo de general, outros de coronel.

Novos voos
Abílio Diniz tem planos de unir alimentos e eletroeletrônicos num bloco só. Poderia ser uma repetição do que misturou, no passado, Pão de Açúcar, Ponto Frio e Casas Bahia, criando o maior grupo varejista do país, com faturamento de R$ 40 bilhões. A nova receita, agora, seria uma união futura entre Carrefour e Máquina de Vendas.

Lá fora
Não é apenas o volume de rounds sobre o escândalo da Petrobras que inspira o noticiário internacional: agora, o mesmo Financial Times, que descreve Eduardo Cunha, presidente da Câmara, como “inimigo número um” de Dilma Rousseff, que dedica nova matéria sobre a suposta nova empreitada do mesmo parlamentar, que quer construir conjunto de prédios para maior conforto de seus pares, incluindo restaurantes e até um shopping center. Custo de R$ 1 bilhão.

Disputado
Há algumas semanas, o ex-presidente do Supremo e ex-ministro da Defesa, Nelson Jobim, estava prestando apenas consultoria para empreiteiras envolvidas no esquema de corrupção da Petrobras. Agora, depois de ter sido contratato oficialmente pela Odebrecht, também acertou sua contratação pela Camargo Corrêa. Muito gente aposta que Jobim tem bom trânsito em esferas judiciais e prestaria serviços semelhantes aos de Marcio Thomaz Bastos, falecido recentemente – e com honorários parecidos.

Na terra de Lula
A OAS tem hoje dividas de R$ 7,7 bilhões, está na lista das principais empreiteiras da Lava Jato e estaria tentando vender os 25% que possui na Invepar que, no Rio, administra a Linha Amarela e o Metrô. Enquanto isso, sem dinheiro, está paralisando as obras que fazem parte do PAC – Programa de Aceleração do Crescimento em São Bernardo do Campo, onde Lula mora, por falta de repasses de dinheiro do governo federal. O prefeito de lá, Luis Marinho, é muito amigo da empreiteira: recebeu doações para sua campanha em 2008 e 2012.

Alcunha, não
A defesa de Fernando Soares, o Fernando Baiano, discutiu para valer com procuradores que atuam junto aos presos da Lava Jato porque eles insistiam em usar o apelido Baiano nas perguntas a Paulo Roberto Costa. Reclamava, dizendo que “ele tem nome e sobrenome”. Aí, um dos procuradores devolveu: “Em todo o material já levantado, só se fala no apelido. Nem se fala no primeiro nome dele”.

No mesmo vôo
Há dias, viajavam juntos, de Brasília para São Paulo, Rui Falcão, presidente nacional do PT e João Vaccari Neto, tesoureiro do partido, que está debaixo de um festival de denúncias no escândalo da Petrobras. Uma delas, segundo Pedro Barusco, ex-gerente da Petrobras, seria o desvio de US$ 200 milhões entre 2003 e 2013 da estatal para os cofres do PT. Falcão falava e Vaccari não abria a boca. No mesmo vôo, estava Nelson Jobim, ex-ministro e ex-presidente do Supremo: passou por eles sem cumprimentá-los.

Mais nacionais
A HBO quer lançar mais duas produções brasileiras este ano. Em maio, estreia Magnifica 70 sobre os bastidores da boca do lixo em São Paulo, que produzia as famosas pornochanchadas nos anos da ditadura militar. Outra é O Hipnotizador, baseada num quadrinho criado pelos argentinos Pablo De Santis e Juan Sáenz Valiente.

Trocando as bolas
Discursando nas comemorações de largada dos 450 anos do Rio, a presidente Dilma Rousseff trocou as bolas na hora de citar um dos grandes nomes da história do samba no Brasil: “Quero agradecer à Dona Ivete Lara...” É Ivone, presidente.

Mudou de lado
A veterana Monique Evans, 58 anos, a primeira rainha de bateria de escola de samba a desfilar com o busto nu, na Mocidade, no final dos anos 70 e pioneira do silicone, está assumindo publicamente seu romance com a DJ Cacá Werneck. Posta foto das duas se beijando e embaixo: “Minha amiga, companheira, meu amor!!!”


Selvagem e prazeroso
A atriz Sheron Menezzes, 31 anos, que estará de volta na novela Babilônia, que sucederá Império, é capa e recheio da nova edição da revista Vip, num ensaio sensual. “Eu não acreditava que era uma mulher sensual. Depois dos 30, comecei a acreditar e as pessoas também passaram a me olhar diferente”. Ela também falou abertamente sobre sexo: “Gosto mesmo. As vezes, é bom; às vezes, é maravilhoso. E sexo com intimidade é tão prazeroso quanto sexo selvagem”.

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Boas de bola
É um time para ninguém botar defeito: as modelos Doutzen Kroes, Lily Aldridge, Adriana Lima, Behati Prinsloo e Candice Swanepoel, todas angels da Victoria’s Secret, trocaram suas sensuais peças de lingerie e aparecem com capacete e uniforme de futebol americano em nova campanha da marca, dedicada ao Valentine’s Day, comemorado nos Estados Unidos dia 15 fevereiro. Irá ao ar no próximo domingo, na final do Superbowl, com duração de dois minutos.

 

Ruy Altenfelder Silva entrevista no programa Dialogo Nacional o colunista Giba Um.


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