“Piloto em tempestade não pode dar pirueta.”

Eliseu Padilha (Aviação Civil) e ex-integrante da articulação política, sobre a tentativa do governo de ressuscitar a CPMF.



Ano XI - 4 de setembro de 2015

 

Escassez e excesso – 1
Até lembrando a propaganda de um antigo remédio para as mulheres, segundo analistas mais lúcidos a presidente Dilma Rousseff atravessa um período complicado entre escassez e excesso. Vinha se mantendo quase encastelada, sem vir a público falar dos tropeções de seu governo, até que Lula tanto insistiu que ela começou a percorrer o Brasil, participando de eventos onde sempre acaba discursando de improviso – e esse é um sério problema – falando muito, quase sempre não coordenando as sentenças. Ou seja: passou da escassez para o excesso. E com resultados contrários: até ajudando a colocar mais lenha na fogueira.

Escassez e excesso – 2
Nestes dias, depois do envio do Orçamento 2016 com R$ 30,5 bilhões de déficit, Dilma recua da intenção ideal, que era empurrar o problema para o Congresso e avisa que mandará retificações para atingir o equilíbrio, como manda a LRF. Depois, ao condenar a CPMF, avisa que o governo irá buscar “outras fontes de receita”, ou seja, aumento de tributos – e muitos que independam da aprovação do Congresso. É o pecado do excesso, de novo.

Nova tentativa
Na nova conversa que teve com o vice Michel Temer, Dilma tentou, mais uma vez, convencê-lo a voltar a articulação política. Era apenas efeito de cena: sabia que ele não concordaria e foi o que Temer, sempre polidamente, tratou de fazer. Se bem que de maneira mais direta.

Pixuleco na parada
O Gabinete da Segurança Institucional descobriu que os movimentos das redes sociais estão preparando uma espécie de reforço-extra – e totalmente indesejável – à parada de Sete de Setembro, em Brasília, onde o policiamento será mais do que redobrado. O maior temor é que o boneco Pixuleco (Lula com roupa de prisioneiro e estampado no peito os números 13 e 171) participe, de alguma maneira, do evento. O GSI, contudo, tem certeza de que, no final da parada, a mesma área seria invadida pelos movimentos portando faixas e cartazes, o suficiente para aparecer na televisão.

Tudo travado
A presidente Dilma Rousseff tem conversado com líderes partidários querendo ajuda. Alguns, até se comprometem a reduzir suas ofensivas, o que não acontece com suas bancadas. O PMDB, hoje, não tem condições de prometer que não terá candidato em 2018, mesmo Temer tenha acenado que não concorreria. Os tucanos, na eventualidade de um impedimento da Chefe do Governo, não querem apoiar Temer. Seriam obrigados a endossar medidas impopulares, criando caminho para a volta de Lula, na condição de salvador da Pátria.

Escalada
Por encontros infrutíferos, por discursos de efeitos indesejados e, claro, pela marcha da oposição, apoiada até por bancadas de partidos da base aliada, Dilma tem confidenciado que “vive uma nova aflição por dia” e não tem ideia onde, como e quando isso irá parar.  E ganhou um novo parceiro: Rivotril.

Indigesto
Esta semana, um novo prato do dia, em meio a boataria que infesta todas as áreas de Brasília, surgiu e provocou indigestão em vários setores, especialmente entre banqueiros: falava sobre a possibilidade de blocos radicais do PT conseguirem emplacar, no lugar de Joaquim Levy, o nome do economista Paulo Nogueira Batista, ex-diretor do FMI.

Do lado de cá
O Brasil tem mais de 50 prêmios aos melhores do showbiz e, em sua grande maioria, não significam nenhum upgrade na carreira dos premiados. Nos últimos tempos, convencionou-se que o humorista Paulo Gustavo, com seus trejeitos do gênero, é o ideal para apresentar esses eventos. Nada a ver com Woopi Goldberg, Steve Martin, Elle DeGeneres, Jon Stewart ou Jimmy Fallon, que já apresentaram o Oscar. Qualquer comparação, seria uma leviandade.

Mesma data
Hélio Bicudo, um dos fundadores do PT, apresentou pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff ao Congresso na mesma data em que, há 23 anos, o então presidente da ABI, Barbosa Lima Sobrinho, propôs o impedimento de Fernando Collor. Qualquer semelhança é pura coincidência.

Projeto Down

Bolada nas costas
Dilma Rousseff achou que Renan Calheiros, presidente do Senado, aparecendo na TV e dizendo que o governo precisa abandonar “o mantra obsessivo de criação de novos impostos” e que “o Brasil precisa mudar”, foi uma bolada nas suas costas. A Chefe do Governo achava que conhecia o Renan.

Futura candidata
Thammy Miranda, filha de Gretchen, acaba de se filiar ao Partido Progressista (PP), levada pelas mãos do presidente do diretório paulista, Guilherme Mussi, casado com Rebeca Abravanel, filha de Silvio Santos. É o partido de Paulo Maluf, presidido por Ciro Nogueira, envolvido na Lava Jato e Jair Bolsonaro, crítico do bloco LGBT. Deverá comandar uma ala chamada PP Diversidade e já pensa em futura candidatura.

Confissões de ex-marido
Enquanto os índices de popularidade de Dilma rolam ladeira abaixo, seu ex-marido Carlos Araújo, em entrevista a revista GQ, confessa ter traído a presidente quando eles ainda eram casados, no final dos anos 60, com a atriz Bete Mendes. Ela era militante contra o regime militar, se encontrou com Carlos para tratar de temas políticos e segundo ele, “acabamos cedendo a uma forte atração”. E lembrou a primeira vez que Bete esteve em seu apartamento: “Improvisei um jantar no fogãozinho de duas bocas e tomamos um vinho barato”.

Outros alvos
Algumas conhecidas figuras do empresariado nacional estão insistindo junto ao presidente da Fiesp, Paulo Skaf, que deixe de atacar Joaquim Levy, da Fazenda e concentre sua metralhadora nos ministros Aloizio Mercadante e Nelson Barbosa, que são os maiores torcedores por um aumento de impostos – e até da criação de novos. Skaf prometeu reduzir: o que não consegue esquecer é o chá de cadeira de quatro horas que levou de Levy no Ministério da Fazenda.

Pé na rua
Em Brasília, secretarias e ministérios ocupam 22 mil funcionários, a maioria em cargos de comissão. Independente do volume de extinção, fusão ou retirada de status de ministros para seus dirigentes, o Planalto já bateu o martelo: o corte atingirá mil cargos de livre provimento. Em tempos de desemprego, o que já se vê é uma corrida a padrinhos, a partidos e demais figuras que podem ser os autores das nomeações à procura de transferências ou mesmo novas colocações.

De novo
Independente da que queda ou não de Joaquim Levy da Fazenda (hoje, quem cruza com ele vê um homem baqueado), o ex-presidente Lula voltou a falar no nome de Henrique Meirelles, ex-BC, que tem trânsito internacional. O ex-chefe do Governo sabe que Dilma não suporta Meirelles e ele, do seu lado, dificilmente deixaria a presidência do Conselho Administrativo do grupo JBS/ Friboi.

Derrotado
O ministro Nelson Barbosa, do Planejamento, que também fala demais, foi tão derrotado nos últimos lances econômicos quanto o ministro Joaquim Levy, da Fazenda. Na semana passada, Levy estava em reunião no Senado e comentou que a nova CPMF estava em discussão e que ele, pessoalmente, preferia mais cortes de despesas. Aí, a presidente da Comissão de Orçamento, Rose de Freitas, entrou na conversa: “Não está em discussão, não. O ministro Nelson Barbosa me disse que sua recriação está aprovada”. Não estava.

Favorita
No próximo dia 20, está marcada uma nova manifestação da CUT na defesa do Governo Dilma e a central vai distribuir entre os manifestantes sanduiches de mortadela. A inspiração surgiu depois que a CUT soube que os gastos do Ministério da Defesa com a compra de mortadela revelam que é a preferida das tropas. Só a brigada da fronteira consome, mensalmente, 20 quilos do produto.

Arrumando as gavetas
O ainda ministro Luis Inácio Adams, da Advocacia-Geral da União, está arrumando as gavetas para deixar o governo. Aguarda apenas o desfecho do processo das pedaladas fiscais do TCU para pegar seu boné. Adams já foi vaiado em restaurantes de Brasília e suas relações com o ministro Aloizio Mercadante estão mais do que arranhadas. E quando o queridinho quer ver alguém longe, consegue passar sua vontade para a Chefe do Governo.

Mais denúncias
O ex-deputado federal Pedro Corrêa (PP-PE) está acertando sua delação premiada e avisa que vai envolver ex-ministros petistas do primeiro mandato do presidente Dilma na história. É sua carta na manga para convencer o Ministério Público Federal para fechar a delação premiada com ele. Até agora, esses ex-ministros não aparecem em nenhuma outra delação e há quem assegure que Antônio Palocci é o principal deles.

Novo Pepe
Não há nada que irrite mais o assessor Giles Azevedo, que agora também cuida da articulação política, do que ser chamado de Pepe 2.0. É uma alusão – e uma comparação – a Pepe Vargas, ex-ministro dessa área, que durou três meses no cargo.

É grave
É grave a crise: em quatro quarteirões da rua Melo Alves, no Jardins, em São Paulo, há nove pontos (eram lojas e restaurantes) com a placa Aluga-se. E na vizinha Oscar Freire, famosa por suas lojas sofisticadas, em dois quarteirões, há quatro grandes espaços com a mesma placa.

Conspiração
Petistas que desconfiam dos movimentos do vice Michel Temer e acham que ele conspira, gostam de citar capítulos da série House of Cards, da Netflix, quando o vice-presidente Frank Underwood conspira para valer nos bastidores, jurando fidelidade publicamente.


Atleta ideal
Na nova edição de Glamour, dedicada à diversidade, Sheron Menezzes, Mariana Ximenes e Paolla Oliveira exibem curvas e um pouco mais com muitas rendas coladas no corpo e falam de seu tipo de atleta ideal. A receita mais completa ficou por conta de Mariana Ximenes: “Deve ser um mistura de alguns jogadores: pernas de Fred, abdômen do Neymar, porte de Jefferson, sorriso de Kaká e olhos de Raí”.

Edições Anteriores:  

  ;-) Dois anéis.

:-( Quatro anéis.



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Ruy Altenfelder Silva entrevista no programa Dialogo Nacional o colunista Giba Um.


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