“Um eleitor do PT pode vir a ser um bom juiz. Mas um simpatizante do MST dificilmente será um fiel defensor da nossa Constituição.”

Aloysio Nunes Ferreira, senador (PSDB-SP), sobre a indicação de Luiz Edson Fachin para o Supremo.



Ano XI - 20 de abril de 2015

 

Pedaladas criminosas
Nove entre dez juristas respeitados acham que as pedaladas fiscais feitas pelo governo em 2013 e 2014 não só ferem a Lei de Responsabilidade Fiscal, como caracterizam também a prática de crime de improbidade administrativa, podendo atingir diretamente Dilma Rousseff. Nesses casos, não há como alegar que foram cometidos em outro mandato – e não no atual. Os autores das pedaladas são Guido Mantega, ex-ministro da Fazenda, Miriam Belchior, ex-ministra do Planejamento e Arno Augustin, ex-secretário do Tesouro. Também não existe a possibilidade, no caso das pedaladas, da Chefe do Governo dizer que “não sabia de nada”, como no escândalo da Petrobras.

Sempre a Caixa
A Caixa Econômica Federal, hoje objeto de investigação da Lava Jato, por conta de denúncias na área de propaganda, é presidida, atualmente, pela mesma Miriam Belchior, que também participou do Conselho da Petrobras. Em 2009 – para quem tem memória curta – a Caixa comprou 49% do Panamericano, quando o banco já estava bichado, pagando R$ 739 milhões. Meses depois, quando estourou o escândalo do super-rombo, Silvio Santos também alegou “não saber de nada” e Fernanda Coelho, presidente da Caixa, que autorizou a compra nunca se defendeu. Hoje, ela está no Ministério das Relações Exteriores, cuidando de projeto de cooperação entre Brasil e Venezuela.

Estava na lista
Xuxa Meneghel convenceu Mariozinho Vaz, que dirigia seus programa na Globo a se bandear para Record. Terá um contrato mais longo do que outros que atuarão no programa dela e que estão sendo contratados por três meses. Detalhe: Mariozinho estava na lista de cortes da Globo e poderá ganhar R$ 180 mil na Record (o que está gerando protestos dos demais diretores, que ganham a metade). Mais: Vildomar Batista deverá deixar este ano, quando termina seu contrato, a Record (ganha R$ 250 mil) e poderá ir para a Rede TV!.

Segundo escalão
Já começou a distribuição dos cargos do segundo escalão do governo Dilma. Só que não será exatamente como senadores e deputados aliados pediram. Antes de ser por partido, a partilha das cadeiras será por estado, começando por Piauí, Goiás e Sergipe. É onde existem menos brigas por direções regionais. Continuam sendo objeto de cobiça cargos maiores como Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) ou DNPM – Departamento Nacional de Produção Mineral. Os ministros Aloizio Mercadante e Ricardo Berzoini estão participando do mapa.

Virou santo
Renan Calheiros admitiu Vinicius Lages, ex-Turismo, como chefe de gabinete no Senado e recusou várias ofertas de cargos para ele, feitas por Michel Temer. Entre outros, Codevasf, Infraero, diretoria de banco e outros. Para Lages ou outro indicado seu, Renan quer cargo do primeiro escalão. Só que, por enquanto, repete que não quer nada e que está empenhado na redução do número de ministérios. Uma raposa felpuda do Senado não aguentou: “Renan virou santo”. Detalhe: ele também recusou a Transpetro.

Preocupação maior
Para os petistas, o ex-deputado André Vargas preocupa mais do que o ex-tesoureiro João Vaccari Neto (os dois estão presos). No caso de delação premiada, há quem aposte que Vargas, ressentindo-se do abandono ao qual foi relegado nos últimos tempos, acabe abrindo a boca com maior facilidade (ele foi obrigado a se desfiliar do partido). Já Vaccari é um soldado do partido, sempre teve o alto comando petista a seu lado, incluindo-se Lula.

Projeto Down

Alternativa
A ex-prefeita e deputada federal Luiza Erundina (PSB-SP), que já se desentendeu no passado com Marta Suplicy, agora acha que a candidatura da senadora poderá ser a alternativa da polarização entre PT e PSDB em São Paulo. Seria a mesma lógica da participação de Eduardo Campos na disputa presidencial do ano passado. Detalhe: extra-oficialmente, Erundina acha que Celso Russomano (PRB-SP) não chega ao segundo turno.

Apostas
No Congresso, há quem aposte que o projeto de terceirização poderá ser derrotado no Senado, esta semana: Renan Calheiros tem posição contrária a de Eduardo Cunha. E há quem aposte alto que o mesmo Renan dará muito trabalho para aprovar o nome de Luiz Cesar Fachin para a vaga de Joaquim Barbosa no STF.

Não adianta chorar
A bancada do PT está desanimada e envergonhada com a prisão de Vaccari Neto. Os congressistas viviam pedindo o afastamento dele da tesouraria da legenda, usando o mesmo argumento de Delúbio Soares no mensalão. Rui Falcão não topava e a bancada não sabia que a maior resistência era mesmo de Lula.

Em tupi-guarani
Na semana passada, numa homenagem aos povos indígenas no Senado, o líder José Frederico desandou a falar em tupi-guarani quando discursava na tribuna da Casa. A turma da taquigrafia ficou sem saber o que fazer até que um senador gritou: “Chama o Aldo!” O Aldo em questão é o ministro de Ciência e Tecnologia, Aldo Rebelo (PCdoB-SP) que, para quem não sabe, é fluente em tupi-guarani. Avesso a estrangeirismos, ele sempre se recusou a aprender inglês.

Siameses
Na semana passada, Marina Silva reuniu-se com líderes do PSB em Brasília, avisou que não desistiu da fundação da Rede e garantiu que manterá a união com os socialistas. “Seremos sempre irmãos siameses”. Ou seja: Marina poderá estar no palanque de Marta Suplicy, no ano que vem.

Olho no futuro
O ex-ministro Moreira Franco, hoje presidente da Fundação Ulysses Guimarães, do PMDB, também acha que a escolha de Michel Temer para a articulação política do governo “é a última bala de prata de Dilma Rousseff”. E emenda: “Se não der certo, morre o Zorro, o Tonto e a vacaria toma conta do lugar”.

Cadeira cobiçada
Dilma Rousseff, que agora virou quase amiga de infância de Michel Temer, nunca confiou no vice, do PMDB. Achava que ele queria mais era seu cargo e não pensaria duas vezes em rifá-la caso a chance certa aparecesse. Quem conseguiu quebrar essa impressão foi Lula durante prolongadas conversas. E quando Eliseu Padilha não topou ser o homem-forte da articulação política, o mesmo Lula ligou para ela: “Chega, não pensa mais: convida logo o próprio Temer para o lugar”. Horas depois, ela convidou. Na gaveta, contudo, continua aquela idéia de que Michel sonha com sua cadeira.

Novo corte
Quando Aldemir Bendine, novo presidente da Petrobras, assumiu o cargo, de cara mandou cortar 50% dos habituais patrocínios da estatal (Wilson Santarosa ainda estava lá). Agora, aumentou o corte para 70% e mesmo campanhas publicitárias serão cuidadosamente avaliadas e revistas. O caixa da Petrobras está, literalmente, no fundo do poço – que não é de petróleo, não.

Direito
Vira e mexe, o ex-jogador Zico, mesmo reconhecido, depara com gente reclamando quando ele entra, num supermercado ou numa agência bancária, na fila dos veteranos. E reclama: “O pessoal me vê na fila dos idosos achando que é porque sou famoso. Não é nada disso: já estou com 62 anos e também tenho direito”. Há quem aposte agora que Zico é até capaz de tirar aquela carteirinha que dá direito a andar de graça em ônibus.

Primeiros convidados
Xuxa nem estreou seu novo programa na Record e no topo da lista de seus convidados estão duas figuras que não dão entrevistas, habitualmente: Silvio Santos e Edir Macedo. Antes de acertar com a Record, Xuxa andou negociando com o SBT e uma entrevista com Silvio faria a loura roubar audiência da emissora dele; e entrevistar Macedo lhe faria entrar na audiência dos evangélicos da Universal. Detalhe: não há a menor chance que eles topem.

Troco preparado
O vice Michel Temer terá que se virar para garantir que senadores aprovarão o nome de Luiz Edson Fachin para a vaga de Joaquim Barbosa no Supremo. Há quem aposte que o troco dos senadores do PMDB estará exatamente aí, vetando a indicação de Dilma Rousseff, malgrado o currículo do jurista. Suas ligações com PT, CUT e MST seriam mais do que suficientes para barrar o nome do indicado. No passado, com mais ligações ao mesmo PT, José Dirceu e Lula, o nome de José Antonio Dias Toffoli passou fácil.

Apertado
O novo ministro do Turismo, Henrique Alves (PMDB-RN) terá um orçamento mais do que espremido em sua Pasta: o Planalto cortou 72% do volume inicial. Dilma, pessoalmente, não morre de amores – e muito ao contrário – por Alves.

Lá em cima
A revista The Nation, da esquerda americana, acaba de incluir o brasileiro e ministro de Assuntos Estratégicos, Mangabeira Unger, ex-professor de Harvard, entre os intelectuais que poderão formar na equipe de campanha da democrata Hillary Clinton à Casa Branca. A nomeação de Unger no governo atual foi iniciativa direta e própria da Chefe do Governo e a maioria dos ministros ainda não descobriu os verdadeiros motivos. Mangabeira foi guru, no passado, de campanhas de Brizola e de Ciro Gomes, quando disputou o Planalto.

TV Love School
Cada vez mais, na grade de RecordNews, é exibido o programa evangélico Love School (Escola do Amor), comandada por Cristiane, filha de Edir Macedo e seu marido, Renato Cardoso, além de outros programas religiosos. Foi a solução encontrada para reforçar o caixa da RecordNews, que sofreu no ano passado grandes cortes. Cristiane, para quem não sabe, costuma ler antecipadamente todos os capítulos da novela Os Dez Mandamentos (Record), que está surpreendendo muita gente com sua audiência.


Biquini brasileiro
Kendall Jenner, 19 anos, a nova modelo em ascensão da família Kardashian-Jenner, é a atração de maio da edição americana da revista GQ, onde ganha capa e ensaio repleto de sensualidade, com direito até a topless. Na capa, Kendall usa um biquíni branco da marca brasileira Adriana Degreas. Na coluna Page Six do New York Post, dia desses, havia a confirmação que duas irmãs Jenner haviam reforçado áreas com silicone: Kylie, a mais moça, turbinou o busto e Kendall – quem diria – à derrière.

Edições Anteriores:  

  ;-) Listras branco e preto.

:-( Listras coloridas.



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Homenagem - Giba Um acaba de receber uma homenagem, na posse do novo presidente da Federação Brasileira de Colunistas Sociais, Ovadia Saadia, na Assembléia Legislativa, da entidade e da Organização Brasileira de Mulheres Empresariais, por seus 40 anos de colunismo e pelos 30 anos de atividades do Projeto Down – Centro de Informação e Pesquisa da Síndrome de Down, ligado a ONU, do qual é fundador e presidente honorário.

Ruy Altenfelder Silva entrevista no programa Dialogo Nacional o colunista Giba Um.


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